Depois de décadas com o mesmo procedimento manual, a Europa mudou definitivamente a forma como recebe turistas estrangeiros em suas fronteiras. Desde 10 de abril de 2026, o Sistema de Entrada e Saída da União Europeia, conhecido como EES (Entry/Exit System), está plenamente operacional nos 29 países que compõem o Espaço Schengen. Na prática, o tradicional carimbo aplicado no passaporte deixou de existir e foi substituído por um registro digital que inclui fotografia facial e impressões digitais do viajante, coletados diretamente no aeroporto de chegada.
Como funciona o novo sistema de fronteiras
O funcionamento do EES é relativamente simples, embora represente uma mudança significativa em relação ao processo anterior. Segundo o portal Vida Mochileira, ao chegar a um aeroporto do Espaço Schengen, o turista passa pelo controle de fronteira e, na primeira entrada sob o novo sistema, precisa fornecer digitalmente uma fotografia do rosto e as impressões digitais de quatro dedos da mão direita. Esses dados ficam armazenados por três anos em uma base centralizada da União Europeia e passam a ser reutilizados automaticamente nas viagens seguintes, o que deve tornar o processo mais rápido a partir da segunda entrada no bloco.
Viajantes com passaporte biométrico e chip podem realizar esse cadastro em totens de autoatendimento, enquanto quem possui passaporte convencional segue sendo atendido presencialmente por um agente de fronteira. De acordo com o site Conceito Viagens, a entrada no sistema europeu sempre ocorre no primeiro aeroporto do Espaço Schengen visitado pelo turista, mesmo quando a viagem inclui voos internos subsequentes dentro do continente, e a saída é registrada da mesma forma, no último aeroporto do bloco antes do embarque de volta.
O que não muda para o turista brasileiro
Apesar da mudança tecnológica, um ponto importante permanece igual: a isenção de visto para brasileiros que viajam à Europa para turismo continua valendo, sem qualquer alteração. Conforme explica o Conceito Viagens, o EES não é um visto, não tem custo algum para o viajante e não exige nenhum tipo de cadastro prévio antes do embarque. Todo o processo acontece exclusivamente no momento da chegada ao aeroporto europeu, o que significa que o brasileiro não precisa se preocupar em preencher formulários ou pagar taxas antes de viajar, ao menos não relacionadas diretamente ao EES.
Essa distinção tem gerado confusão entre viajantes, especialmente porque o EES muitas vezes é mencionado junto de outro sistema, o ETIAS (Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagem). Segundo a companhia aérea Lufthansa, o ETIAS funciona de forma semelhante ao ESTA dos Estados Unidos e vai exigir uma autorização eletrônica prévia de viajantes isentos de visto, mas sua entrada em vigor está prevista apenas para o último trimestre de 2026. Até esse momento, apenas o EES está ativo, e nenhuma ação prévia é necessária por parte do turista brasileiro além de ter um passaporte válido em mãos.
Filas e adaptação nos principais aeroportos europeus
A implementação do novo sistema não ocorreu sem sobressaltos. De acordo com o portal Idealista, o período de transição registrou constrangimentos importantes em diversos países, com destaque para o aeroporto de Lisboa, em Portugal, que enfrentou uma das situações mais críticas do continente. O Conceito Viagens relata que associações de aeroportos e companhias aéreas europeias chegaram a registrar esperas de até duas horas em horários de pico durante a fase de adaptação, com filas em Lisboa chegando a oito horas durante o período de festas de fim de ano.
Para tentar reduzir esse tipo de transtorno, a Comissão Europeia chegou a flexibilizar temporariamente o uso obrigatório da biometria em determinados pontos de entrada, segundo reportagem do PANROTAS, o que ajudou a aliviar parte da pressão sobre os aeroportos durante a alta temporada de inverno no hemisfério norte. Desde que o sistema passou a operar de forma unificada em abril, a expectativa das autoridades europeias é que o processo se torne progressivamente mais rápido, à medida que mais viajantes já estejam com seus dados biométricos previamente cadastrados na base europeia.
Ferramentas digitais para agilizar o processo
Para tentar amenizar o impacto das filas, a União Europeia lançou uma ferramenta que permite ao viajante antecipar parte do processo de cadastro. Segundo o Vida Mochileira, existe um aplicativo oficial, gratuito, chamado Travel to Europe, desenvolvido diretamente pela União Europeia, que permite fazer um pré-cadastro de informações até 72 horas antes da chegada ou da saída de um país do Espaço Schengen. É importante destacar que esse pré-cadastro não substitui a passagem pelo controle de fronteira presencial, mas reduz o tempo necessário no momento da chegada, já que parte dos dados do viajante já estará registrada no sistema.
A mesma fonte alerta para um ponto de atenção relevante: têm circulado na internet sites falsos que cobram pelo pré-cadastro do EES, mesmo o aplicativo oficial sendo totalmente gratuito. Antes de utilizar qualquer serviço relacionado ao EES, o recomendável é que o viajante busque diretamente o aplicativo oficial nas lojas de aplicativos ou confirme a autenticidade do serviço em canais institucionais da União Europeia, evitando assim cobranças indevidas por um procedimento que não tem custo nenhum.
Passaportes e territórios com regras diferentes
Nem todo o continente europeu segue exatamente as mesmas regras do EES. De acordo com o portal Dicas de Viagem, a Irlanda continua utilizando o sistema tradicional de carimbo no passaporte, já que não integra o Espaço Schengen para fins desse controle de fronteira. O Chipre, embora seja membro da União Europeia, ainda não implementou totalmente o EES no controle compartilhado de fronteiras. Já o Reino Unido, que inclui Londres e a Escócia, possui sistema próprio de controle migratório e não utiliza o EES europeu.
Microestados como Andorra, Mônaco, San Marino e o Vaticano também ficam fora do sistema, principalmente por não possuírem aeroportos internacionais próprios com controle de fronteira independente. Para o viajante brasileiro que planeja um roteiro por diferentes países europeus, entender essas particularidades pode ajudar a evitar surpresas, especialmente em viagens que combinam países dentro e fora do Espaço Schengen, já que os procedimentos de entrada e saída podem variar significativamente de um destino para outro dentro do mesmo continente.
O que vem a seguir com o ETIAS
Com o EES já consolidado, a atenção do setor de turismo se volta agora para a chegada do ETIAS, previsto para entrar em vigor no último trimestre de 2026, segundo informações da companhia aérea Swiss. Diferentemente do EES, que atua apenas no momento da chegada ao aeroporto, o ETIAS vai exigir que viajantes isentos de visto solicitem uma autorização eletrônica prévia, preenchendo um formulário online simples antes mesmo de embarcar rumo à Europa.
Esse novo sistema deve funcionar de forma semelhante a autorizações já conhecidas por viajantes brasileiros em outros destinos, como o ESTA dos Estados Unidos, e tende a se tornar parte obrigatória do planejamento de qualquer viagem à Europa a partir de sua implementação. Até que o ETIAS entre efetivamente em vigor, o recomendável para quem vai viajar ao continente europeu é continuar levando um passaporte biométrico válido, verificar os requisitos de entrada específicos do país de destino e reservar um tempo extra na chegada ao aeroporto, já que o processo de cadastro biométrico, mesmo mais rápido do que nos primeiros meses de implementação, ainda pode gerar filas em períodos de alta demanda.
Fontes consultadas: PANROTAS, Conceito Viagens, Vida Mochileira, Dicas de Viagem, Idealista, Lufthansa e Swiss.
