Acordo de isenção de vistos entre Brasil e China entra em vigor e redesenha o mapa do turismo internacional

Diego Velázquez
Diego Velázquez 15 Visualizações 8 Min de leitura

A relação entre o Brasil e a China deu um passo relevante no campo diplomático e turístico em 2026. Desde 11 de maio, cidadãos chineses portadores de passaporte comum podem entrar no Brasil sem a necessidade de visto, em viagens de até 30 dias, para fins de turismo, negócios, atividades culturais, esportivas ou visitas familiares. A medida foi anunciada pelo presidente em exercício Geraldo Alckmin, ao lado do ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, durante o 10º Salão do Turismo, realizado em Fortaleza, no Ceará, conforme divulgado pelo portal PANROTAS.

Reciprocidade diplomática entre os dois países

A isenção brasileira funciona como contrapartida a uma decisão chinesa anterior. Desde maio de 2025, a China já concedia isenção de visto para brasileiros em viagens de curta duração ao país asiático, dentro de uma estratégia de reabertura e estímulo ao turismo internacional adotada por Pequim. Com a nova medida, o Brasil formaliza essa reciprocidade e passa a oferecer condições equivalentes de acesso aos dois lados. Segundo memorando de entendimento publicado no Diário Oficial da União e citado pelo Correio Braziliense, a isenção tem validade inicial até 31 de dezembro de 2026, podendo ser renovada posteriormente.

Para o governo federal, o objetivo central da medida é ampliar a presença do Brasil em um mercado turístico considerado estratégico. De acordo com a Embratur, o país recebeu pouco mais de 100 mil visitantes chineses em 2025, com crescimento de 30% no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior. O Ministério do Turismo também destacou, em nota reproduzida pelo PANROTAS, que entre janeiro e março de 2026 o Brasil recebeu 26.401 turistas chineses, um avanço de 30,5% frente ao mesmo intervalo de 2025.

Estrutura para receber o novo fluxo de visitantes

A isenção de visto não é o único elemento dessa estratégia. O Ministério do Turismo mantém o programa Approved Destination Status (ADS), que credencia agências de viagens brasileiras habilitadas a receber grupos de turistas chineses com suporte especializado. Segundo o portal Mundo Viajar, atualmente 325 agências inscritas no Cadastur estão aptas a oferecer esse tipo de atendimento, o que sugere que o país já vinha se preparando para um eventual aumento na demanda vinda da Ásia antes mesmo da assinatura formal do acordo.

Esse tipo de credenciamento tende a ganhar peso à medida que o fluxo de visitantes chineses cresce. Agências qualificadas ajudam a garantir que roteiros, comunicação e atendimento estejam alinhados às expectativas de um público com hábitos de consumo e preferências culturais distintas das de outros mercados emissores tradicionais, como Estados Unidos e países europeus. A expectativa do setor é que, com mais agências preparadas, o Brasil consiga captar uma parcela maior de um mercado emissor que soma mais de 1,3 bilhão de pessoas.

O que muda na prática para o viajante chinês

Do ponto de vista prático, a isenção elimina a necessidade de solicitação prévia de visto para estadias de até 30 dias, o que tende a simplificar significativamente o planejamento de viagens ao Brasil. Segundo reportagem do O Cafezinho, a medida também deve facilitar visitas de negócios, permitindo que executivos realizem processos como due diligence, negociações comerciais e inspeções técnicas com maior agilidade, sem depender dos trâmites tradicionais de emissão de visto.

Esse tipo de facilitação tem efeito direto sobre o turismo de negócios e eventos, segmento que costuma gerar receita elevada por viajante, já que combina hospedagem, alimentação e serviços especializados. Analistas ouvidos por veículos do setor apontam que a decisão também se conecta a um movimento mais amplo de aproximação entre Brasil e China, com reflexos em áreas como comércio, investimentos e cooperação cultural, e não apenas no fluxo turístico propriamente dito.

Efeitos esperados sobre a malha aérea entre os dois países

O aumento na procura por viagens entre Brasil e China já preocupa parte do setor aéreo, que vê no crescimento da demanda um desafio operacional. Segundo o portal Central de Notícias Brasil, especialistas alertam que o principal obstáculo tende a deixar de ser a burocracia consular e passar a ser a capacidade operacional das companhias aéreas e aeroportos, especialmente em períodos de alta demanda como o Carnaval. A mesma reportagem menciona a possibilidade de aumento nos preços das passagens e a necessidade de ampliação da malha aérea entre os dois países para acompanhar o novo fluxo de visitantes.

Historicamente, voos diretos entre Brasil e China são pouco numerosos, o que costuma obrigar viajantes a fazer conexões em outros continentes. Caso a demanda por viagens entre os dois países continue crescendo no ritmo observado nos primeiros meses de 2026, é provável que companhias aéreas avaliem a viabilidade de novas rotas diretas ou o aumento na frequência de voos já existentes, movimento que dependeria de acordos bilaterais adicionais na área de aviação civil.

Outras mudanças no radar do viajante brasileiro

Enquanto o acordo com a China avança, outras políticas de vistos que afetam o brasileiro que viaja para fora também estão em discussão. Segundo o portal Passageiro de Primeira, a isenção de visto entre Brasil e Japão, que permite entrada sem visto para estadias de até 90 dias, tem validade até 29 de setembro de 2026, sem confirmação, até o momento, de prorrogação por parte do governo japonês. Sem renovação, o visto pode voltar a ser exigido para viagens de turismo ao país, o que aumentaria custos e burocracia para quem planeja visitar o Japão ainda em 2026.

Esse tipo de instabilidade em regras de visto reforça a importância de o viajante brasileiro acompanhar de perto comunicados oficiais de consulados e embaixadas antes de fechar roteiros internacionais, especialmente para destinos onde as regras têm mudado com frequência nos últimos anos. Tanto o caso do Japão quanto o da China mostram como decisões de política externa têm impacto direto e imediato sobre o planejamento de viagens, alterando prazos, custos e a própria viabilidade de determinados destinos de um ano para o outro.

Fontes consultadas: PANROTAS, Correio Braziliense, Mundo Viajar, O Cafezinho, Central de Notícias Brasil e Passageiro de Primeira.

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