Novo sistema de entrada na Europa amplia o uso da tecnologia nos aeroportos, mas exige planejamento para evitar filas e atrasos durante a viagem.
Viajar para a Europa em 2026 passou a envolver uma etapa tecnológica que muitos brasileiros ainda desconhecem. A consolidação do novo sistema digital de controle de fronteiras, baseado em biometria facial, impressões digitais e registro eletrônico de entradas e saídas, representa uma das maiores transformações da imigração europeia nas últimas décadas. Embora a iniciativa tenha sido criada para reforçar a segurança e tornar o controle migratório mais eficiente, os primeiros meses de operação mostram que a adaptação ainda traz desafios para passageiros e aeroportos.
Para quem está planejando férias, viagens de negócios ou um roteiro pelo Espaço Schengen, entender como essa tecnologia funciona deixou de ser apenas uma curiosidade. O tema influencia o tempo de conexão entre voos, o planejamento da chegada ao destino e até a escolha do aeroporto de entrada no continente. Além disso, novos aplicativos começam a surgir para reduzir o tempo gasto na imigração, indicando uma tendência que deve ganhar força em todo o turismo internacional nos próximos anos. (Panrotas)
Como funciona a nova tecnologia de entrada na Europa
O Entry/Exit System (EES) substitui o tradicional carimbo no passaporte por um registro digital completo da viagem. Na primeira entrada em um dos países participantes, o turista precisa apresentar o passaporte biométrico, realizar a captura da imagem facial e registrar suas impressões digitais. Todas essas informações passam a integrar um banco de dados compartilhado entre os países do Espaço Schengen, permitindo maior controle sobre o período de permanência autorizado.
Na prática, a tecnologia busca tornar futuras viagens mais rápidas, já que parte do cadastro permanece disponível para entradas posteriores. Entretanto, durante esta fase inicial, milhões de viajantes estão realizando esse procedimento pela primeira vez, aumentando significativamente o tempo nas filas de imigração. Aeroportos em destinos turísticos populares, como França, Espanha, Itália e Portugal, já registraram períodos de maior lentidão justamente por causa da adaptação ao novo sistema. (Melhores Destinos)
Para minimizar esse impacto, alguns países começaram a utilizar o aplicativo Travel to Europe, que permite realizar parte do cadastro antes da viagem. O passageiro pode escanear o passaporte, enviar uma selfie e preencher informações antecipadamente, reduzindo parte das etapas presenciais. Ainda assim, a coleta das impressões digitais continua obrigatória na chegada, o que significa que o aplicativo agiliza o processo, mas não elimina completamente a passagem pelo controle migratório. (Panrotas)
O que muda para turistas brasileiros na prática
Para brasileiros que viajam sem necessidade de visto para estadias de até 90 dias, o novo sistema não altera o direito de entrada, mas muda completamente a experiência na imigração. O principal impacto é o aumento do tempo necessário para concluir os procedimentos, especialmente durante períodos de férias escolares e alta temporada europeia.
Quem possui voos com conexões curtas precisa redobrar a atenção. Especialistas do setor recomendam priorizar itinerários com intervalos maiores entre voos internacionais, principalmente quando a primeira entrada ocorre em aeroportos muito movimentados. Também vale a pena acompanhar comunicados da companhia aérea e do aeroporto de destino, pois alguns terminais têm adotado medidas temporárias para reduzir congestionamentos nos horários de pico. (Viagem e Turismo)
Outro aspecto importante é que o sistema digital registra automaticamente o período de permanência do turista. Isso facilita a fiscalização do limite de até 90 dias dentro de um período de 180 dias, reduzindo erros que antes podiam ocorrer com carimbos ilegíveis ou ausentes. Para quem costuma realizar várias viagens internacionais ao longo do ano, esse controle eletrônico exige ainda mais atenção ao planejamento das datas de entrada e saída.
A digitalização dos aeroportos deve transformar as viagens nos próximos anos
A adoção do EES faz parte de um movimento mais amplo de digitalização das viagens internacionais. Nos próximos meses, espera-se que mais aeroportos integrem aplicativos de pré-cadastro, portões automáticos de reconhecimento facial e sistemas inteligentes capazes de reduzir o tempo de processamento dos passageiros. Paralelamente, a União Europeia prepara a integração futura com o ETIAS, autorização eletrônica de viagem que utilizará informações já registradas pelo sistema biométrico.
Essa evolução acompanha uma tendência observada em diversos mercados turísticos. Companhias aéreas investem em embarque por biometria, hotéis ampliam o check-in digital e aeroportos utilizam inteligência artificial para prever fluxos de passageiros e otimizar filas. O objetivo é criar uma experiência mais rápida, segura e integrada para viajantes internacionais, reduzindo processos manuais e aumentando a eficiência operacional.
Para quem pretende viajar à Europa ainda em 2026, a principal recomendação é incorporar essa nova realidade ao planejamento. Reservar mais tempo para conexões, verificar previamente se o aeroporto oferece recursos de pré-cadastro e acompanhar atualizações das autoridades europeias podem evitar contratempos. A tendência é que, após o período inicial de adaptação, a tecnologia passe a cumprir sua promessa original: transformar a imigração em um processo mais moderno, previsível e eficiente para milhões de turistas que cruzam as fronteiras europeias todos os anos. (Panrotas)
Fontes oficiais
- Comissão Europeia – Entry/Exit System (EES): https://travel-europe.europa.eu/ees_en
- União Europeia – Travel to Europe (informações sobre EES e ETIAS): https://travel-europe.europa.eu/
- Agência da União Europeia para Gestão Operacional de Sistemas de TI (eu-LISA) – EES: https://www.eulisa.europa.eu/
- Conselho da União Europeia – Entry/Exit System: https://www.consilium.europa.eu/en/policies/schengen-area/entry-exit-system/
- IATA (International Air Transport Association): https://www.iata.org/
- ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil: https://www.gov.br/anac
- Ministério do Turismo: https://www.gov.br/turismo
- ONU Turismo (UN Tourism): https://www.unwto.org/
