Mulheres que viajam sozinhas ganharam um novo material de orientação para planejar deslocamentos com mais autonomia e atenção à segurança. Elaborado pelo Ministério do Turismo em cooperação com a Unesco, o guia reúne recomendações para diferentes etapas da viagem, desde a escolha do destino até a busca por apoio em situações de assédio, violência ou risco.
A publicação foi lançada originalmente em 5 de março de 2026 pelo Ministério do Turismo. Em 27 de setembro, durante o Dia Mundial do Turismo, o conteúdo voltou a ser divulgado pelo governo federal por meio do Ministério das Mulheres. A proposta é oferecer informações práticas para que mais brasileiras possam organizar viagens solo de forma responsável e inclusiva.
Pesquisa mostra razões para viajar sozinha
Além das recomendações, o guia apresenta dados de uma pesquisa realizada com 2.712 brasileiras. O levantamento indica que o lazer foi apontado por 72,6% das entrevistadas como uma das razões para viajar sozinhas. A busca por independência e liberdade apareceu para 65,1% das participantes.
Os números ajudam a contextualizar o crescimento do interesse por experiências individuais no turismo. Viajar sem companhia pode estar associado ao descanso, à descoberta de novos lugares e à possibilidade de definir o próprio ritmo, mas exige planejamento adicional para lidar com deslocamentos, hospedagem e imprevistos.
Planejamento começa antes do embarque
Entre as orientações do documento está a importância de pesquisar o destino e organizar previamente os principais deslocamentos. A viajante pode verificar como chegar ao local de hospedagem, quais meios de transporte estarão disponíveis e quais trajetos serão realizados durante a estadia.
O guia também recomenda consultar prestadores de serviços cadastrados no Cadastur, sistema do Ministério do Turismo que reúne registros de empresas e profissionais do setor. A verificação ajuda a obter informações sobre fornecedores formalmente cadastrados antes da contratação de serviços turísticos.
Na escolha da hospedagem, a publicação orienta observar as condições do estabelecimento e os procedimentos adotados no atendimento. Uma recomendação específica é evitar que o número do quarto seja anunciado em voz alta, preservando a privacidade da hóspede em áreas compartilhadas, como recepção e elevadores.
Cuidados em transportes e aplicativos
O deslocamento por aplicativos também aparece entre os pontos de atenção. Antes de entrar no veículo, a orientação é conferir a placa e a identificação do motorista, comparando os dados exibidos no aplicativo com o automóvel que chegou ao local de embarque.
Outra medida indicada é compartilhar a rota com uma pessoa de confiança. O recurso pode permitir que alguém acompanhe o trajeto e saiba quando a passageira chegou ao destino. A recomendação se aplica especialmente a deslocamentos em horários ou locais nos quais a viajante não possui familiaridade.
As orientações não substituem a avaliação de cada situação. Ao perceber qualquer inconsistência entre as informações do aplicativo e o veículo, a passageira pode interromper o embarque e procurar uma alternativa. O planejamento prévio de rotas e contatos também contribui para reduzir a exposição a imprevistos.
Como buscar ajuda em situações de risco
O material reúne caminhos para quem enfrentar assédio, violência ou outras situações de emergência durante a viagem. Em casos emergenciais, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.
A Central de Atendimento à Mulher, pelo número 180, oferece orientação e recebe denúncias relacionadas à violência contra mulheres. O canal pode ser utilizado para buscar informações e encaminhamentos, inclusive quando a situação ocorre fora da cidade de residência da vítima.
Ao reunir dados, recomendações de planejamento e canais de atendimento, o guia amplia a abordagem sobre viagens solo para além da escolha de destinos. A publicação está disponível no Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas, publicado pelo Ministério do Turismo.
